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É preciso
É preciso Perder a linha, perder a cabeça, perder o juízo Perder, quem sabe, alguns arraigados valores Perder a forma arredondada de algumas certezas Procurar nas arestas dos dias, escondidos temores Enveredar-me por outras ruelas e suas cruezas Fazer nova forma em rotina abundante Deixar de lado os fatos que cansam, os extenuantes Erguer-me entre o sal e a terra, sentir-me gigante Esquecer as fragilidades que se fazem tão firmes Perder os pontos que teimam em piscar, invisíveis Olhar por entre a relva do chão caminhante Encontrar alguns vermes que estão rastejantes Pisar com mais força nos fatos mais tristes Sacudir a poeira das vestes e idéias que, de tão velhas, persistem Levar a loucura passear com vaidade Tratar com ensejos de luz os impuros desejos Da carne sofrida e da alma esquecida mostrar seus lampejos É preciso mudar os rumos batidos, as teclas usadas Perceber que mágoas e dores fazem boa cruzada Mostrar grandes garras aos variados bandidos Em braços bem firmes, com arco e flechas envenenadas, matar os valores que teimam em ficar mesmo quando escondidos...
luferretti
Enviado por luferretti em 20/10/2008
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