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Eu, diaba
                            

Era um senhor parrudo, sério  , religioso.
Falador moderado.
Não sei bem que filosofia seguia.
Nele, havia muita superstição .
Tudo  d a natureza se transformava em sinais.
'Isso é ruim, isso é bom.' Presságios!
Avisos dos mais variados vinham para indicar
soluções. Desvios , fugas, reza forte.
O diabo era  ser presente e quase palpável nos
dias rotineiros de sua vida.
E  , lógico, o medo também.
'Isso é coisa do diabo' , dizia quando algo
não se encaixava   dentro de suas convicções.
Com certo  grau de instrução , se esperava dele outra posição.
Por azar ,  foi parar num condomínio onde as corujas
escolheram para morada. Centenas delas.
Não sei  como o tal senhor convivia  com os pios
noturnos, os voos rasantes.
Devia se arrepiar em grandes  exorcismos  apopléticos.
Afinal , dizia ele , ' corujas eram coisas do diabo'.
Uma noite , um temporal trouxe ao meu quintal
dois filhotinhos da ave rapineira ,despencados
de uma árvore.Tive que adotá-los.
Não foi muito fácil  , no começo, inexperiente que
era para cuidar de aves.
Mas , devagar , fomos achando um meio de
ambientarmo-nos  `a   nova situação.  
O tempo passou . O casal cresceu  , ficou forte.
Grandes asas se abriram  para a liberdade.
Lindamente. Que imagem!
Foi nessa temporada   que percebi:
aquele  senhor  sério- parrudo-supersticioso-falador-diplomado ...   sumiu , inexplicavelmente  ,  das minhas paragens...

lu.ferretti
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Corujas

minha sorte  
bem - aventuranças
bibelôs  criados

lu.f:-)


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luferretti
Enviado por luferretti em 28/03/2010
Alterado em 28/03/2010


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